Quantas vidas cabem em uma mesma vida?
Quantas versões nossas as pessoas conhecem?
Há dimensões da minha trajetória que não nasceram do planejamento profissional, mas da curiosidade, da coragem de experimentar e da disposição de aprender vivendo. Sempre acreditei que a vida é uma sucessão de missões conscientes, e que nossas escolhas individuais também constroem algo maior, inclusive o destino coletivo.
Desde criança, fui diagnosticada como altas habilidades e superdotação, talvez por isso minha necessidade de empreender desde muito cedo. Antes mesmo de certas ideias terem nome, já estava criando negócios, formatos e experiências. Tive outlet de luxo quando isso ainda não existia no Brasil, agência de comunicação, spa, produtora cultural. Promovi a primeira transmissão de um show ao vivo pela internet e levei experiências de tecnologia imersiva para grandes eventos ainda nos anos 90. Inovar, para mim, nunca foi tendência, sempre foi natureza.
A comunicação foi outro território fundamental. Como jornalista, fui uma das criadoras e apresentadora do Repórter Eco, na TV Cultura, um programa pioneiro ao colocar o futuro do planeta, a sustentabilidade e a responsabilidade coletiva no centro da conversa pública. Ao longo dos anos, atuei em diferentes projetos de televisão, rádio, jornais, revistas e plataformas no Brasil e no exterior. Essa vivência me ensinou algo precioso: traduzir complexidade sem perder profundidade.
Mas meu verdadeiro percurso formativo aconteceu fora das estruturas tradicionais. Fui construindo o que chamo de meu MBA pessoal, um caminho que une estudo, corpo, experiência e prática. Sempre acreditei na teoria, mas entendi cedo que o ser humano só se transforma quando vive o que aprende. Por isso, estudei comportamento humano, liderança, espiritualidade, ciência, medicina integrativa, sou mestre em IA e cognição, pesquisadora da PUC, e uni educação e cultura em contextos muito diversos.
Meu corpo também foi escola. Passei pelo balé, pelas artes marciais, pelo atletismo, pela natação, pelo triathlon, pela equitação, esgrima, pelo mergulho em Fernando de Noronha, e cavernas pelo mundo, pelo salto de paraquedas e fui professora de Yoga e meditação, quando isso era coisa de bicho grilo. Cada prática me ensinou algo sobre disciplina, foco, risco, liberdade e presença. Aprendi que liberdade constrói caráter.
Viajei o mundo para aprender com culturas, saberes e modos de vida diferentes. Estudei filosofia na Grécia, línguas em seus países de origem, espiritualidades no Nepal, na Índia e na Turquia. Convivi com comunidades tradicionais, povos originários, ribeirinhos, indígenas. Na Amazônia, dormi no topo das árvores, ouvi histórias que não cabem em livros e vivi experiências que redefiniram meu entendimento sobre saúde, pertencimento e interdependência.
Também aprendi muito errando. Houve escolhas que não deram certo, relações que quebraram minha confiança, projetos que já não sustentavam minhas missões diárias. Esses momentos foram duros, mas fundamentais. Foi ali que compreendi, com maturidade, que errar faz parte do caminho e que assumir um erro é um ato profundo de consciência. Sempre há um amanhã para realinhar, e, quando não há conserto possível, há aprendizado.
Tudo isso atravessa quem sou hoje. Meu trabalho nasce dessa soma: ciência e sensibilidade, método e vivência, razão e alma. Não falo de transformação como conceito bonito, mas como algo que se constrói todos os dias, no corpo, nas escolhas e na forma como habitamos o mundo.